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domingo, 26 de fevereiro de 2012

01 - As Iniciações

Desde seus começos, a Iniciação, por mais rudimentar que fosse, assumiu uma natureza rigorosamente secreta, por dois motivos principais:
1° - o poder adquirido era grande e, portanto, não poderia cair em mãos erradas – o que ocorre com a Magia Negra.
2° - o alto conhecimento é produto de muito estudo, não sendo possível ensinar a indivíduos rudes, de inteligência pouco desenvolvida, uma matéria que eles não compreenderiam convenientemente.

Então, à medida que os colégios iniciáticos trabalhavam, e que a Iniciação avançava e se tornava uma ciência, depois uma Alta Ciência, o distanciamento intelectual entre o Iniciado e o profano permaneceu sensivelmente o mesmo. Com isso, os Iniciados se tornaram uma elite em sua terra.

A iniciação consiste na elevação do pensamento ao máximo das possibilidades. Da mesma raiz latina “initia”, que significa os primeiros fundamentos de uma ciência e na admissão nos Sagrados Mistérios ou Ocultismo ensinados pelos Hierofantes, sendo praticada em todas as antigas religiões.

Ninguém, diz A. Besant, pode alcançar as sublimes mansões onde moram os Mestres sem haver passado pela estreita porta da Iniciação, a porta que conduz à vida eterna. Para que o homem possa cruzar os umbrais dessa porta, há de ter alcançado o mais alto grau de evolução, a ponto de não mais ter interesse em tudo o que pertence à vida na Terra, salvo o poder de servir com toda abnegação aos Mestres e ajudar na evolução da humanidade, mesmo à custa dos maiores sacrifícios pessoais.

Eu sou a porta, eu sou o caminho. Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me – disse Jesus.





Sobre a Iniciação diz Piobb:

“Trata-se de pensamento, logo, de reflexão; por conseguinte, também de elementos de reflexão e ainda de fatos concretos ou abstratos, mas sempre patentes e, de qualquer modo, certos e explicáveis segundo um sistema que satisfaça à razão – e não apenas àquilo que bem se poderia denominar sentimento. Em vista disto, pode haver uma Ciência Iniciática que será, incontestavelmente, uma ciência – superior sem sombra de dúvida -, posto que ela fornecerá ‘as razões das coisas’, dessa forma resolvendo os problemas mais elevados da metafísica, respondendo todas as perguntas propostas pelo homem e que entrevê a ciência experimental e satisfazendo a razão inteiramente.”
Isto é Alto Conhecimento através de estudos, trabalho, dedicação, e evolução mental-espiritual.


O Batismo
O Batismo como rito de Purificação, era celebrado durante as cerimônias de Iniciação em tanques sagrados da Índia, também pertencendo à primitiva Teurgia dos Iniciados caldeo-akkadiana, e praticado religiosamente em cerimônias noturnas nas Pirâmides, onde ainda hoje vemos a pia batismal em forma de sarcófago. (ver tópico – Batismo)

Na Antiguidade, os Mistérios, segundo os grandes filósofos gregos, consistiam da mais sagrada de todas as solenidades, representando um passo da vida mortal à experiência da Alma e do Espírito libertos da materialidade – portanto uma espécie de morte – daí a pia batismal ser em forma de sarcófago. Daí também o simbolismo das ressurreições de Lázaro e Jesus e sua descida aos infernos.

Explica Blavatsky que a alegoria mal compreendida, conhecida pelo nome de descida aos Infernos, de Hércules e de Teseu descendo às REGIÕES INFERNAIS; a viagem de Orfeu aos Infernos, encontrando seu caminho graças ao poder de sua lira (Ovídio, METAMORFOSES), a viagem de Krishna e finalmente do Cristo que "desceu aos Infernos" e "ressuscitou dos mortos" ao terceiro dia, todas se tornaram irreconhecíveis pelos "adaptadores" não iniciados dos ritos pagãos, que os transformaram em ritos e dogmas da Igreja.

Mas, sob o ponto de vista místico, essa alegoria simboliza os ritos de iniciação nas criptas do Templo, chamadas o "mundo inferior" (HADES). Baco, Héracles, Orfeu, Asklépios e todos os outros visitantes da cripta, desciam aos infernos, donde ressurgiam ao terceiro dia, pois todos eram Iniciados e "construtores do Templo Inferior".

As palavras de Hermes, dirigidas a Prometeu encadeado sobre as rochas áridas do Cáucaso - Prometeu ligado pela ignorância e devorado pelo abutre das paixões – aplicavam-se a cada neófito, a cada CHRESTOS durante as provas. "Não há fim para o teu suplício até que Deus (ou um deus) apareça e te alivie as tuas dores, consentindo em descer contigo ao tenebroso HADES, às sombrias profundezas do Tártaro" (Ésquilo: PROMETEU, 1.027 e ss.)

Isto quer simplesmente dizer que, enquanto Prometeu (ou o homem) não encontrar o "deus" ou o Hierofante (o Iniciador) que desça voluntariamente consigo às criptas da iniciação e o dirija em torno do Tártaro, o abutre das paixões não cessará de devorar os seus órgãos vitais.

A região obscura da cripta, na qual, supunha-se, o candidato à iniciação rejeitava para sempre suas más paixões ou maus desejos. Provêm daí todas as alegorias contidas nas obras de Homero, de Ovídio, de Virgílio, etc..., que os sábios modernos tomam no sentido literal. O Phlegetonte era o rio no Tártaro, onde o Iniciado era mergulhado três vezes pelo Hierofante, depois do que estavam terminadas as provas. O homem havia nascido de novo; tinha deixado para sempre o velho homem de pecado na corrente sombria, e ao terceiro dia, quando saía do Tártaro, era um INDIVIDUALIDADE; a PERSONALIDADE estava morta. Daí vem o conceito de ressurreição ou renascimento.

Ésquilo, como Iniciado, não podia dizer mais do que isso! Mas, Aristófanes, menos piedoso, ou mais audacioso, divulga o segredo aos que não estão cegos pelos preconceitos por demais enraizados, em sua sátira imortal AS RÃS, sobre a "descida aos infernos" de Herákles. Lá encontramos o coro dos bem-aventurados (os Iniciados), os Campos-Elíseos, a chegada de Baco (o deus Hierofante) com Terakles, a recepção com as tochas acesas, emblema da NOVA VIDA e da RESSURREIÇÃO das trevas da ignorância humana para a luz do conhecimento espiritual, a VIDA ETERNA. Cada palavra da brilhante sátira atesta a intenção interior do poeta:

Animai-vos, tochas ardentes... pois as vens
Agitando em tua mão, Jaco
Estrela fosforescente do rito noturno

Jaco é outro nome de Baco.


As iniciações finais, diz Blavatsky,  sempre eram feitas à noite. Falar-se, por conseguinte, de alguém que houvesse descido aos infernos equivalia, na antiguidade, a designá-lo como um INICIADO PERFEITO. Aos que se sentirem inclinados a rejeitar essa explicação, eu farei uma pergunta: podem eles nos revelar, neste caso, a significação de uma frase contida no sexto livro de Eneida de Virgílio? Que quer dizer o poeta senão o que exprimimos acima, quando, introduzindo o venerável Anquises nos Campos Elíseos, ele o induz a aconselhar seu filho Enéas a realizar a viagem à Itália... onde teria que combater, em Latium, um povo rude e bárbaro; mas, acrescenta ele, "não te aventures a tal antes de teres concluído A DESCIDA AOS INFERNOS", quer dizer, "antes de seres um Iniciado".

Os clérigos benévolos, escreve Blavatsky, que, sob a menor das provocações, estão sempre prontos a nos mandar ao Tártaro e às regiões infernais, não suspeitam o bom voto formulado a nosso respeito, e qual o caráter de santidade que deveremos adquirir para poder entrar num local tão sagrado.

Diz o Buda que:
“Melhor seria viver um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com a mente indisciplinada.
Melhor seria viver um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.
Melhor seria viver um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e na inércia.
Melhor seria viver um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.
Melhor seria viver um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa.”

“Sem o conhecimento não existe meditação, sem meditação não existe o conhecimento. Aquele que possui tanto o conhecimento quanto a meditação está próximo do Nirvana.” O Buda

Atingir o estado Nirvânico, é transmutar a mente mundana em Mente supramundana, equivalente a descoberta da Pedra Filosofal dos alquimistas ou Opus Alquímico (obra alquímica) que também significa Iluminação.


O processo Iniciático é semelhante a um caminho espinhoso de três etapas ou graus de Iniciação que acompanha uma expansão da consciência o que se chama “a nave do conhecimento”, que é também a nave do poder, pois nos reinos da Natureza “saber é poder”.

1 – através do estudo e da pesquisa vem a compreensão intelectual da Sabedoria Divina.

2 – daí, o aspirante avança para o insight intuitivo, ou acesso a informações que procedem dos planos mais elevados, inspirado pelos Mestres Espirituais, alcançando assim a Sabedoria.

3 – nesse estágio ele se depara frente à frente com a sua Nudez – ou estado Nirvânico ou seu equivalente cristão da redenção ou ressurreição.

Tal como Inanna – a deusa do céu, desce à região inferior, suas insígnias e roupas reais são rasgadas ritualmente em cada um dos sete portões, sendo despojada de todos os adereços de rainha, apresentando-se nua – com sua verdadeira face -, e de joelhos, acatando assim a autoridade de sua irmã Eresquigal – a Senhora da Grande Região Inferior, que representa nesse mito, o lado destrutivo-transformador e implacável da vontade cósmica.

fontes:
Formulário de Alta Magia – P.-V.Piobb – Ed. Francisco Alves
Glosário Teosófico – H.P.Blavatsky – versão digital em espanhol
A Vida Oculta e Mística de Jesus – Leterre – Ed. Madras
O Livro Tibetano da Grande Liberação – W.Y.Evans-Wentz – Ed. Pensamento
As origens dos rituais na Igreja e na Maçonaria – H.P.Blavatsky

domingo, 18 de novembro de 2007

1 - Teurgia ou Magia Iniciática.




Em todos os tempos sempre foi reservado ensinamentos e práticas a uma elite de adeptos cuidadosamente escolhidos entre os membros de confrarias, que se dedicavam ao estudo de uma ciência muito superior à comum.

Os teurgistas eram denominados pelos antigos gregos de Epoptas, e pelos hebreus, Reis Magos. Toda prática teúrgica apresentava um caráter secreto, e, portanto, inteiramente desconhecida. (fonte – FAM 20)

Essas confrarias ou colégios iniciáticos, tinham por norma o sigilo absoluto de seus ensinamentos, sendo incontestavelmente o núcleo da intelectualidade dos povos.

É importante lembrar que Moisés, antes de tudo, foi um grande Mago, como podemos verificar facilmente na passagem do Êxodo cap. 7 – que disserta sobre as pragas que ele lançou sobre o faraó e o Egito-, ele tinha uma vara mágica, e duelou com os magos do Egito, certamente, tanto Moisés quanto os magos egípcios foram Iniciados nas mesmas artes de Magia.

Fato semelhante ocorre com os Reis Magos que visitaram Jesus, como relata Mateus no capítulo 2, magos que vieram do Oriente, que segundo alguns, eram pertencentes ao colégio de Zoroastro.

“Desde seus começos, a Iniciação, por mais rudimentar que fosse, assumiu uma natureza rigorosamente secreta. Isto, pela muito simples razão de logo parecer inútil ensinar a indivíduos rudes, de inteligência pouco desenvolvida, uma matéria que eles não compreenderiam convenientemente.

Então, à medida que os colégios iniciáticos trabalhavam, que a Iniciação avançava e se tornava uma ciência, depois uma Alta Ciência, o distanciamento intelectual entre o iniciado e o profano permaneceu sensivelmente o mesmo. Com isso, os iniciados se tornaram uma elite em sua terra.

Sem dúvida, é verdade que eles compuseram um gênero aristocrático, no sentido grego da palavra. Também é exato, e assim registraram os historiadores, que nas épocas em que as associações iniciáticas se tornaram deveras importantes, conquistando um lugar exagerado na sociedade, algumas dentre elas ficaram insuportáveis aos profanos, o que lhes ocasionou ataques e perseguições judiciais.

Então – e não apenas uma vez, mas várias – os iniciados dispersaram-se, reagrupando-se novamente, reconstituídos, uns aqui, outros acolá; a dificuldade devia ser enorme para haver ‘coligação’. Em outras palavras, à falta de um fio condutor, surgiram várias diversidades, se não na Iniciação em si, pelo menos nas ‘correntes de idéias’ que, no correr dos séculos, difundiram-se através do mundo.”
FAM – 21/22

“Quando, em decorrência de circunstâncias políticas, revoluções e guerras, os iniciados se dispersaram e tornaram a agrupar-se, formando novos núcleos, essa ‘profanação’ – no sentido exato da palavra – assumiu, necessariamente, uma ampla extensão. Religiosamente falando, cada um praticou – de modo profano – sua Magia particular. Sem grande força social, os iniciados não se empenhavam a fundo em impedi-lo, limitando-se geralmente a declarações algo veemente, excluindo os ‘profanadores’ do domínio em que, via de regra, era inscrita a ‘religião’ da época. A sentença pronunciada tomou o nome de excomunicação, nas eras cristãs; em realidade, sob outras denominações, ela foi aplicada em todos os tempos.” FAM - 24

“A iniciação consiste na elevação do pensamento ao máximo das possibilidades. Trata-se de pensamento, logo, de reflexão; por conseguinte, também de elementos de reflexão e ainda de fatos concretos ou abstratos, mas sempre patentes e, de qualquer modo, certos e explicáveis segundo um sistema que satisfaça à razão – e não apenas àquilo que bem se poderia denominar sentimento. Em vista disto, pode haver uma ciência iniciática que será, incontestavelmente, uma ciência – superior sem sombra de dúvida-, posto que ela fornecerá ‘as razões das coisas’, dessa forma resolvendo os problemas mais elevados da metafísica, respondendo todas as perguntas propostas pelo homem e que entrevê a ciência experimental e satisfazendo a razão inteiramente.”
FAM 27/8

“Assim sendo, o magista[1] via em concreto apenas os efeitos, cuja causa – de interesse unicamente seu – residia em um domínio inacessível pelos meios ordinários. Tal era reservado somente aos exercícios da inteligência, desta forma intangível ao comum dos mortais e ‘tabu’, se assim podemos dizer, para a massa desprovida de instrução suficiente. Não devemos tomar o magista por um matemático de profundos conhecimentos, a quem as abstrações são de tal modo familiares, que o fazem perder o concreto de vista. Entretanto, pelo exame das chaves – que não passam de fórmulas matemáticas – percebe-se claramente que a abstração (no sentido que damos hoje ao termo, cientificamente) era muito melhor manejada na antiguidade, que em nossos dias. É verdade que os meios matemáticos não eram os mesmos, em absoluto, mas existiam seus equivalentes... FAM 35

“O magista, no entanto em vista de suas considerações abstratas, passando de causalidades a causalidades, ultrapassando o domínio onde são consideradas as forças ordinárias da Natureza, passou a abordar as regiões onde se concebe a existência de energias diretoras do Universo.

Filósofo, ele poderia ter-se contentado em estabelecer um ‘sistema’ explicativo, ao qual o seu talento daria qualquer valor metafísico, caso o tivesse achado satisfatório. Voltado para a ciência e positivista de certo modo, ele preferiu permanecer ‘prático’.
...
Se existiu então uma teoria da Magia, segundo a qual ficavam estabelecidos os objetivos a serem utilizados na prática, é forçoso convir que, em si, ela teve um caráter universal.

Em qualidade, a universalidade se explica pelo fato de que as concepções abstratas, quando apresentam um caráter científico e não somente filosófico, não podem afastar-se muito de um ‘normal’, podendo-se então dizer que sua espécie é a razão.”
FAM – 36/7



Sobre a Doutrina da Alta Magia :

“Em seu estado mais elevado e, por conseguinte o melhor, a Magia resulta na aplicação de uma teoria relevante da ‘matéria iniciática’. Exposta em linguagem moderna, tal teoria é a seguinte:

A iniciação, no referente ao ensino filosófico, constituído de maneira lógica e racional, considera o Universo esférico.

Sendo a terceira dimensão a última que, na escala das ‘potências matemáticas’ pudesse permitir, ordinariamente, a representação do espírito humano, o Universo – ou ‘tudo que existe’ – é concebido como comprimido no interior de uma esfera, quer dizer, na figura geométrica apresentando o máximo de volume.

Estendendo a concepção ao extremo, esta esfera universal tem o infinito por periferia.

Os mundos estelares, compostos de uma estrela central (única ou múltipla) e de diversos planetas – movem-se no interior da esfera universal, pelo efeito das forças cósmicas.

Os seres de cada planeta – seres de cada reino da Natureza e de toda espécie – são constituídos e organizados em virtude da ação energética do astro que os carrega. Eles vivem – dotados de vida latente como os minerais ou de vida efetiva, como os vegetais e animais, segundo suas maiores ou menores possibilidades de movimento próprio – sempre em função de uma ação energética que, tendo sido extraída do astro que os carrega, lhes pertence, química e biologicamente, como coisa particular. Eles se reproduzem – caso permita suas condições de vida – igualmente, em razão da energia de que o organismo dispõe.

Existe então um encadeamento de seres – isto é, de ‘coisas que existem’ e de ‘modalidades de seres’ – em seguida o ser mais vasto, chamado Universo, indefinido em sua composição e infinito em sua configuração, passando pelos complexos estelares (que são definidos) e os planetas onde o concreto se torna tangível para quem quer que o habite, até o ser – seja ele organizado ou não – existente em um astro qualquer.

Tal encadeamento de seres, portanto, implica em movimento – não apenas para que cada um se desloque, mas também para que cada um seja construído ‘atômica e celularmente’, que cada um se desenvolva, evolua e se reproduza (caso seja necessário). E o movimento supõe uma energia motriz.

Nestas condições, em correlação com o encadeamento de seres no Universo, existe um encadeamento de forças, cujo caráter geral é cósmico.

Todavia, se existe um encadeamento de forças cósmicas no Universo – como uma espécie de rede, distribuindo energia por toda parte – necessária se torna a suposição de uma ‘usina central’ (como falamos comumente hoje em dia), que tenha o papel de ‘fonte de energia’.

Não é difícil conceber-se tal idéia, em vista da construção geométrica da esfera, porque toda esfera tem um centro, necessariamente. Essa ‘usina central’, como é lógico, só poderia encontrar-se no centro e, de qualquer modo ela existe.

Menos fácil de imaginar é a composição, o funcionamento dessa ‘ usina central’. A Kabalah hebraica resolveu o problema em uma palavra: ela declara que isto é Ain Soph, em outra palavra, inconhecível. Em linguagem industrial, poderíamos dizer: ‘entrada proibida’.

Assim, ela precisa a natureza dos segredos que o Epopta deve conhecer, para lhe ser permitida a entrada... É preciso que o indivíduo seja qualificado para entrar – da mesma forma que a proibição de passagem por uma porta, não interdita aqueles que têm esse direito... possuindo qualificação para cruzá-la. No entanto, a quantidade de chaves a possuir se traduz por uma quantidade de saber, naturalmente dependendo da inteligência do iniciado. Quando este for considerado apto para compreender, ele compreenderá, mais ou menos bem, em especial se fez suas lições e as reteve na memória, podendo-se servir-se das mesmas com maior ou menor grau de destreza. Em verdade, não basta apenas possuir as chaves que abrem as fechaduras ou conhecer as ‘palavras’ que permitem sua abertura – é preciso saber como manobrar cada chave
[2].

Seguindo nisto, os gregos deram o nome de théos à ‘causa primeira da energia universal’. A raiz da palavra é DIF, com um digamma (sexta letra do alfabeto grego arcaico); dela se originou o latim divus, Deus,...; em sânscrito , produziu Deva...

Esta raiz evoca a idéia de clarão (na luz), portanto, de dia (no concernente à claridade) e, tendo fornecido o grego Zeus
[3], dá também uma idéia de divindade.

Nisto consiste toda a teoria da Magia. O clarão da luz e aquilo a que os homens chamam de dia originam-se comumente, sem contestação possível, da luminosidade que o Sol esparge sobre a Terra. O que o sol possui é uma manifestação de energia. Ao ser dado o nome de théos à fonte primeira de energia, cada fonte secundária será tomada um théos, isto é, uma divindade, porque o apelativo assume caráter genérico. Daí a pluralidade dos deuses, quando paramos no panteísmo; daí, ainda, a multiplicidade das divindades inferiores, que se deve imaginar a fim de serem caracterizadas as fontes de energia derivadas, existentes na Natureza terrestre...”
FAM

“No princípio criou Deus os céus e a terra.
E a terra era sem forma...
E havia trevas sobre a face do abismo;
E o Espírito de deus se movia sobre a face das águas[4]
E disse Deus: Haja luz. E houve Luz” [5] Gen. 1 – 1 a 3


FAM – Formulário de Alta Magia – P.-V.Piobb – editora Francisco Alves

[1] Do latim magister - mestre
[2] Isto fica mito claro em Êxodo cap.7 v 10 a 12- “Então Moisés e Aarão entraram...e lançou Aarão a sua vara diante do Faraó, e diante de seus servos, e torna-se em serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores; e os magos do Egito fizeram o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes. Mas a vara de Aarão tragou as varas deles” e toda a seqüência desse relato indica claramente um duelo de magia entre Moisés e os magos egípcios.
[3] Zeus – Deus. O termo Zeus significa ‘iluminador’ ou ‘aquele que dá a luz’ .
[4] Águas - significa a matéria original ainda não diferenciada.
[5] Essa Luz criada, não é a luz solar, pois somente a partir do versículo 14, no 4° Dia da Criação é que foram criados os luminares – Sol , Lua e as estrelas.
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